Movimento Software Livre

Olá hackers e campuseiros de plantão! Tudo certo? Hoje vamos trocar uma idéia marota sobre o já citado anteriormente Movimento Software Livre e vamos a algumas situações hipotéticas antes de mergulharmos nesse assunto louco de interessante.

Situação 1: Você jovem gafanhoto, usuário Windows a vida toda e mais alguns quebrados, começa a acompanhar discussões "nas interwebs" a respeito de um tal de movimento software livre, de uma tal de iniciativa opensource, de uma galera que diz que o Windows muitas vezes não é a melhor opção e fica curioso para saber o que essas pessoas tem a dizer;

Situação 2: Você jovem libélula, sente que seu equipamento por vezes parece controlar o que você está fazendo, ao invés do contrário, sente que, quando quer compartilhar com um amigo aquele seriado legal que você viu no NetFlix, ao invés de poder passar o arquivo pra ele, você tem de passar o link para que ele assine, pague, autentique e depois, caso tenha internet para isso, assista e isso te incomoda...

Situação 3: Você campuseiro de plantão, após 300 horas de palestra decide que quer aproveitar o tempo de download dos outros e entra no DC++ e acaba catando um arquivo infectado, detona sua máquina inteira e sente o peso de ter que reinstalar o seu sistema operacional... ao pedir ajuda, pega "na surdina" aquele pendrive maroto com o windows 8.1 para voltar a horas e horas de download...

Você obviamente não precisa ser uma pessoa que se reconheça em nenhuma das situações a seguir, ou pode se enxergar em todas (que tenso...), não importa, o que importa é que, na reversal russa o software é quem usa você (mais alguém aqui lembra da desciclopédia?).

O Movimento Software Livre surgiu em 1985, fundado pelo Richard Matthew Stallman (ou "rms" ou "Stallman" que é como iremos trata-lo à partir de agora no texto) com a oficialização da criação da Free Software Foundation (ou FSF para os íntimos).

O movimento em sí, surgiu através de ideais de hackers lá da década de 1970 que não se conformaram com as normas de não compartilhamento de software que eram impostas a eles em seus ambientes de trabalho... nascia ai o embrião do que viria a se tornar uma revolução no compartilhamento de conhecimento.

A filosofia do movimento é que a utilização de softwares em computadores não deve limitar as pessoas, impedindo-as de cooperar umas com as outras. Na prática podemos entender isso como rejeitar software proprietário, pois o mesmo impões restrições a seus usuários, e promover software livre, com o objetivo de promover a liberdade no mundo digital.

Em uma de suas palestras rms diz que: "Se o usuário não controla o programa, o programa controla o usuário".

Bom, é dificil de discordar... se você não conhece a ferramenta que você está utilizando, você pode, não só ter rendimento ruim com a ferramenta, quanto se tornar dependente dela sem perceber. Isso é nocivo.

Vamos supor que você tenha comprado um CD de músicas (quem faz isso hoje em dia) e você decida emprestar esse CD para um amigo seu, o disco é seu, você, fisicamente pode entregar a seu amigo, ele ouvir e depois te devolver... certo? Você pode fazer o mesmo com uma cópia do Windows? Legalmente?

Dialogo 1: Pessoa 1 - E então? Trouxe a parada? Pessoa 2 - Não explana, não explana... Pessoa 1 - Larga de frescura, passa logo isso ae! Pessoa 2 - Toma aqui, mas não fala pra ninguém que te passei... Pessoa 1 - Esse é o que tem auto ativação, patch de segurança e aqueles joguinhos "grátis"? Pessoa 2 - Claro, e eu trabalho com porcaria?


Dialogo 2:

Pessoa 1 - E então? Conseguiu pra mim a cópia do DVD? Pessoa 2 - Está aqui, você instala e compra a licença online, a dessa versão está saindo a 500 pratas. Pessoa 1 - Ok, falou. Pessoa 2 - Valeu.

Salvo as devidas proporções, qual das duas situações se aplica mais a uma troca de DVDs de instalação do Windows, Microsoft Office, MacOSX, AutoCAD, PhotoShop, Corel Draw... ?

E se eu te disser que, no movimento software livre, se eu possuo uma cópia de um programa, eu, além de poder compartilhar com você, sou encorajado a faze-lo? Inclusive com minhas modificações pessoais naquele programa? Sem que eu, você ou qualquer outro tenha que, obrigatoriamente prestar contas de qualquer coisa a qualquer um por isso?

Bom, esse é o tipo de liberdade que o movimento do software livre te oferece, e é através das 4 liberdades que podemos fazer isso... para deixarmos bem marcado na cabeça, as 4 liberdades são:

Liberdade 0: A liberdade para executar o programa, para qualquer propósito; Liberdade 1: A liberdade de estudar o software; Liberdade 2: A liberdade de redistribuir cópias do programa de modo que você possa ajudar ao seu próximo; Liberdade 3: A liberdade de modificar o programa e distribuir estas modificações, de modo que toda a comunidade se beneficie.

Bem bacana não é? Então, com essa mentalidade, Stallman começou a difundir a palavra do movimento software livre e conseguiu trazer colaboradores, com esses colaboradores surgiu o GNU, uma série de softwares que cumpriam os mais variados propósitos... mas o GNU não era perfeito, faltava um núcleo pra ele, e é ai que, em outubro de 1991 (ano em que nasci) surge o kernel Linux, que, junto com os sofwares GNU, formavam o sistema GNU/Linux. Hoje, servidores, smartphones e desktops do mundo todo se beneficiam de distribuições GNU/Linux.

De 1985 para cá, muita coisa mudou, as distribuições (como chamados um sistema GNU/Linux) tomaram conta do mundo dos entusiastas e passaram a ser encaradas como coisa séria, tanto que várias pessoas usam a muito tempo somente GNU/Linux em seu dia a dia, tanto no profissional quanto no pessoal.

O Movimento Software Livre é muito interessante de ser estudado, e possui uma filosofia inclusiva muito grande (embora alguns possam teimar que não) onde a liberdade do usuário em usar, estudar, modificar e redistribuir qualquer programa livre em seu computador, tende a fortalecer os conhecimentos do mesmo, pois o software livre engaja seu usuário a estuda-lo, mesmo que nunca venha a modifica-lo.

Existem hoje distribuições GNU/Linux "focadas" (entre aspas porque você pode, com o esforço necessário, usar qualquer distro para qualquer finalidade) nas mais diversas tarefas, algumas mais voltadas a experiência do usuário, outras fincadas nas raizes do software livre, outras até mesmo dando umas escorregadas e instalando programas sem permissão dos usuários. Vou listar abaixo algumas distribuições GNU/Linux que são apoiadas pela FSF, elas são, digamos, de mais dificil acesso ao público "comum" por trazer "certa" baixa compatibilidade de drivers livres (por culpa dos fabricantes) para componentes de hardware (principalmente GPUs e chips Wi-Fi), porém o cenário está mudando, e estamos vendo o número de componentes de hardware compativel, seja graças ao esforço da comunidade, seja pelas fabricantes, aumentar de forma exponencial. Vale a pena estudar um pouco cada uma dessas distribuições.

Distribuições livres apoiadas pela FSF:

  • Debian (com o repositório main habilitado somente); (O Debian não é apoiado pela FSF como apontado pelo Nicolas Maia na rede Diaspora)
  • Trisquel (derivado do Ubuntu);
  • gNewSense (derivado do Debian);
  • Parabola (derivado do Arch Linux);

Essas são algumas das distribuições completamente livres aprovadas pela FSF, lembrando que, qualquer distribuição GNU/Linux, pode ser "lavada" de todo software proprietário dela, existem alguns procedimentos que são diferentes para cada uma delas e, futuramente, estaremos vendo como proceder.

Bom pessoal, o texto ficou enorme, mas antes de terminar eu queria deixar alguns pontos a ser ponderados por vocês:

  • Você pode ser à favor, neutro ou contra o Movimento Software Livre;
  • Você não será discriminado por membros do Movimento Software Livre caso queira continuar utilizando Software Proprietário;
  • Você não precisa migrar de uma vez para o mundo do Software Livre, irei abordar casos de migração gradativa para os interessados;
  • Você deve questionar tudo o que eu disse e correr atrás das fontes, afinal, eu posso estar errado, ter compreendido algo de forma errada;
  • Você pode e deve utilizar o campo de comentários, sempre com educação, com suas dúvidas, dicas e sugestões.

Para concluir, iremos no próximo artigo, ver a OSI (Iniciativa Open Source) e após isso, discorrer as diferenças e semelhanças entre SL e OSI, sempre de forma amigável. E não se engane, começaremos a "meter a mão na massa" também, experimentaremos juntos ferramentas e distribuições, e eu compartilharei minhas experiências com vocês, e vocês são mais do que bem vindos a fazer o mesmo.

Por enquanto é isso turma;

Saudações Livres.

O trabalho Movimento Software Livre de Thiago Faria Mendonça está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

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