Geração hipérbole

Tá, antes de continuar a ler, fique avisado que isso aqui não é embasado em nenhuma pesquisa científica, não sou dono de verdade nenhuma e é basicamente uma ode a toda a encheção de saco que a internet tem se tornado ultimamente…

Quem sou eu? Ninguém importante o suficiente pra cagar regra, e veja você, lá vou eu fazer isso… Vamos lá então? Vamos…

A internet ultimamente vem se tornando um ambiente insuportável se você a usa “as supposed to do”, claro, assumindo que oversharing e overcompensating seja a forma que você deveria utilizar essa bagaça…

Mas Thiago, já começou com os termos babacas? Já, segura que vem mais…

O meu maior problema com a atual fase da internet brasileira é a polarização dos dialogos, de repente, 1 ano e meio longe do facebook e restringindo meu uso de redes sociais ao minimo necessário depois, quando volto as redes me encontro com um mundo preto e branco na internet… E turma, a vida não é assim… O mundo preto e branco da internet diz ao povo brasileiro médio que usa a internet que se você não é de direita, você é de esquerda, o que não é verdade nem se vocẽ for o contrário de destro já que ambidestria existe e é real… A internet hoje diz que se você apoia X, você é Y, que se vocẽ não gosta de A, vocẽ é B, que “existem 2 tipos de pessoa no mundo”, e cara, vocês vão me desculpar, mas, PUTA QUE PARIU…

  • “Bolsominio ou Dilmeiro”;
  • “Coxinha ou Mortadela”;
  • “Machista ou Feminista”;
  • “Simpatizante ou homofóbico”;
  • “Libertário esquerdopata, direitista quadrado”;
  • "Amigo ou inimigo";
  • “Flamengo ou Fluminense”;
  • “Star Wars ou Star Trek”;
  • “Chamito ou Yakult”;
  • “Toddynho ou Nescau”;

Parem! Sério mesmo, parem!

O mundo não é binário, a vida não é binária, a lista de exemplo que eu fiz pula drasticamente de importância de assuntos porque é uma forma infantil de ver as coisas! Quando eu era criança eu tinha um achocolatado favorito, um filme favorito, adolescente tinha um estilo musical favorito que me representava… Cara, isso é coisa de criança, o mundo não é binário…

Hoje ou você é mito ou você é lixo, ou você viu algo foda que mudou sua vida ou é um lixo completo e perda de tempo, ou você isso ou você aquilo….

As coisas não deveriam funcionar desse jeito…

É possível ter opinião sobre assunto X ou Y e não ser rotulado, embora a internet enquanto entidade queira te rotular… é possível você não gostar do novo Star Wars ou do Logan e tudo bem… É possível você ser contra o aborto mas a favor da igualdade e respeito de gêneros sem ser chamado de conservador quadrado e esquerdopata ou de indeciso…

O problema da geração hipérbole, encabeçada por nomes bonitos da pseudo neo direita e pseudo neo esquerda brasileira, aqueles dois extremos escrotos que são minorias que fazem barulho e encontram um monte de gente sedenta pra acreditar em alguma coisa mas sem vontade alguma de se aprofundar em nada pra formar as próprias opiniões, o problema dessa geração é querer meter um rótulo em cada pessoa.

O problema dos rótulos é que eles normalmente vem com uma tag de preço e um lugar na prateleira meus queridos… E eu não quero mais ser um produto com preço definido e usado de massa de manobra por quem etiqueta tudo e todos…

Educação política, opinião pessoal, orientação sexual, respeito mútuo, tudo isso é resultado do meio de cada indivíduo, e merece respeito, quer você ache a idéia da ração do Dória pra pobre uma merda absurda ou uma idéia genial, quer você ache o Bolsonaro a solução do Brasil ou não, quer você seja um inscrito do Nando Moura e repita os mantras dele ou não…

Na geração hipérbole o debate real não tem lugar porque os nervos são tão inflamados por extremos que a gente fica cego para toda e qualquer argumentação válida… E eu entendo, é difícil ser contrariado, mas sentar e trocar uma ideia com gente que pensa diferente de você pode ser uma das melhores formas de você construir melhor seus ideais, e às vezes, através desse tipo de dialogo, a gente consegue entender que a grande base dos problemas de hoje é enxergar pessoas que pensam diferente da gente, como inimigos…

O Facebook e o Youtube, dois dos lugares que mais sinto essa polarização extremista desenfreada tendem a nos cercar de bolhas de informação, o Facebook, na forma que ele te trata, entrega conteúdo na sua timeline que você gosta. Entrega postagens alinhadas com sua forma de pensar baseado nas informações que você compartilha publicamente, e faz isso em uma proporção que, quando algo contrário aparece na sua frente, destoa completamente do que você está acostumado a ver, trazendo aquela chama de estranheza e vontade de rebater que muitos estão acostumados. A rede é pensada dessa forma, não se deixe enganar achando que o mundo pensa igual a você… Ele não pensa… Cada pessoa pensa de uma forma e age de uma forma, as vezes, algumas delas tem pontos alinhados com os seus, mas na vida real, aquela fora da frente do computador, as coisas acontecem de forma muito menos amena… O mesmo vale para o Youtube, você se inscreve em canais de conteúdo que vocẽ gosta, o YT recomenda vídeos do conteúdo que vocẽ costuma assistir, e de repente bota um ou outro video relacionado ao conteúdo mas contrário a idéia… E esse tipo de conteúdo destoa e te causa raiva. Se você ignora esse conteúdo, o YT vira uma bolha de coisas que vocẽ gosta, seu mundinho particular, se você começa a consumir o conteúdo que te deixa puto, mais conteúdo pra te deixar puto vai aparecer… É batata, vai na minha…

A grande verdade, pra mim pelo menos, é que hoje em dia gritar em redes sociais, e talvez pensar um pouco antes de sair digitando ou gravando vídeo na internet é algo tão banal que muita gente faz de qualquer jeito, e muita gente despreparada pra ter um embate intelectual com aquilo que está consumindo, acaba sendo dragado por um mar de pseudo informação, e o resultado disso é simples de entender… Quem grita com mais convicção, mesmo que use um discurso deturpado, acaba atraindo mais gente… Afinal, um cara que se diz cristão e que prega a palavra de cristo, ataca pessoas a nível pessoal, ofendendo a torto e a direito pessoas que simplesmente pensam de forma contrária a ele, ganha milhões de inscritos no YouTube e, chamando o mundo que pensa diferente dele de burro e imbecil, tenta empurrar literatura escolhida por ele goela abaixo de gente sem senso crítico…

Da mesma forma, pessoas com milhões de seguidores na internet, milhões de inscritos no YouTube fazem um trabalho enorme de enganação a população, pregando uma falsa igualitariedade como possível solução para a situação política brasileira…

O meu ponto depois de falar tanta groselha é:

Nós não precisamos odiar quem pensa diferente da gente, da mesma forma que não precisamos amar todos que pensam igual a gente… Da mesma forma que achar um ponto de uma causa bacana, não te faz obrigado a aceitar, gostar e repetir a causa como um todo… a porcaria do tal do rótulo só serve pra gente se limitar, quando no fim das contas, o unico rótulo que a gente precisa (na minha opinião de merda) é o do bom senso + respeito ao próximo…

Você pode não ter lido esse tanto de groselha até o final, você pode ter lido e achado uma merda absurda… Não importa muito, mas, se quiser deixar uma mensagem ai, trocar uma idéia, usa os comentários, me manda um e-mail, um tweet, me telefona, sei lá…

Da minha parte, eu venho expondo cada vez menos minha vida pessoal e cada vez mais conteúdo profissional ou ainda bobagem absoluta por ai… A sensação de ser repreendido por simplesmente não pensar igual a X ou Y por alguém que não tem a pachorra de vir conversar cara a cara acaba diminuindo muito… Recomendo aliás. =)

Ah, e se quiser trocar uma ideia pessoalmente, estamos à disposição também.

Paz e até a próxima.


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8 comentários sobre “Geração hipérbole

  1. Não poderia concordar mais com o texto.

    Em resumo, a melhor coisa que se pode fazer na vida é expandir os horizontes, conhecer novos pontos de vista, novas ideias, novas maneiras de pensar. Isso te evolui, te ajuda, te engrandence.
    O mundo é gigante, mesmo o conceito do certo ou errado muda de um lugar para outro, por exemplo, um conceito que é o correto em uma cultura pode ser completamente “errado” em outra. Tudo é perspectiva, e você tem que tentar enxergar no maior número delas SEMPRE!
    #PauNoCudoNmoura #BolsoLula2018 #lulaNaro2018 #FantaPessegoéAMelhor #FikDik

    #lula

  2. Olá,

    Texto interessante, Thiago; me lembrou do Docróbitos 130 http://podcast.decrepitos.com/e/decrepitos-130-genio-x-bosta/

    No entanto, seria interessante você rever/repensar os seus conceitos de “criança” e “infantil”; recentemente temos tido muitos estudos interessantes na área da Sociologia da Infância, nos fazendo perceber que essa categoria geracional é constituída de uma riqueza de relações e significados muito maior do que geralmente conseguimos perceber. Pode ser algo corrente e amplamente entendido dizer coisas como “isso é coisa de criança”, mas esse comportamento só acaba reproduzindo estereótipos sobre a infância que não se confirmam na realidade. Conheço muitas crianças que não abraçam essa visão binária com a qual você se deparou e comentou no texto.

    • Opa, antes de mais nada, obrigado pelo comentário!
      Cara, Bocróbidos é o melhor pior podcast do Brasil, ele é tão melhor pior que dá volta na lógica e fica ruim e bom ao mesmo tempo…
      Interessante a relação entre o infantil e as pesquisas que você citou, teria alguma fonte pra que eu possa dar uma lida? Minha colocação no texto foi mais um uso apropriado do termo popular do que uma critica a forma dos infantes de pensar mesmo… Eu quando fiz o curso de formação de professores no meu ensio médio tive bastante contato com crianças diferentes durante os estágios e percebo bem essa não binariedade na forma de pensar da maioria deles mesmo. Outro termo poderia casar melhor com a intenção, mas creio que não tenha sido pejorativo as crianças em sí.
      Se tiver algum link de fontes das pesquisas eu gostaria mesmo de dar um visu.
      Grande abraço.

      • Olá,

        Não precisa agradecer (embora eu entenda e concorde com o que lhe leva a fazê-lo); se, como me disseram no IRC por esses dias, “informação tá aí pra ser compartilhada”, então feedback tá aí pra ser dado =]

        Acho que você fez algum salto lógico nessa sua apresentação sobre a qualidade do Cropódotos (é tudo bem eu rir sozinho toda vez que leio, mesmo quando sou eu que escrevo, essas “versões” do nome do cast?!). Eu entendo a ideia internética de “dá a volta na lógica”, até aí okay. Se algo é “o melhor pior X”, entendo que na lista de “piores X” esse algo é o mais bem colocado na lista. Aplicando o teorema de “volta na lógica”, então, esse algo não deveria se tornar “o pior melhor”? Porque a sua explicação me pareceu se apoiar mais em Schrödinger do que na volta da lógica.

        Em relação à Sociologia da Infância, tenho algumas indicações a te fazer sim, claro. Primeiro, não conheço exatamente um material onde você vá encontrar uma afirmação categórica como “as crianças não são necessariamente binárias”; antes eu faço essa inferência por ler diferentes materiais e perceber uma multiplicidade de comportamentos e formas de ser nas crianças que nos desautorizariam a fazer a relação inequívoca entre infância e binarismo.
        O texto “Uma Criança Negra, Uma Criança e Negra” (https://www.scribd.com/document/134546894/1-2-A-Crianca-negra – só achei nessa plataforma, que acho ruim, me desculpe) trás um panorama recente e interessante sobre as pesquisas sobe infância, escolhendo o recorte de raça mas mostrando que outros podem ser possíveis: classe, gênero, religião… Embora não seja primorosamente escrito, acho um material interessante para começa a pensar dentro da Sociologia da Infância.
        O livro “Culturas Infantis e Desigualdades Sociais” de Deise Arenhart também é um material contemporãneo e interessante de explorar. Embora a própria autora vá trabalhar com forte viés binário (uma concepção herdeira do materialismo-dialético exacerbada e, não surpreendentemente, uma concepção de cultura que flerta com Frankfurt), sua preocupação em fazer descrições do campo (escolas de educação infantil) apresentam as crianças, suas realidades e escolhas, permitindo também fazer reflexões sobre a não necessidade de relacionarmos infância e binarismo.
        O artigo “Sociologia da infância, raça e etnografia: intersecções possíveis para o estudo das infâncias brasileiras” de Mighian Danaes (http://www.reveduc.ufscar.br/index.php/reveduc/article/viewFile/1115/417) é uma leitura mais estruturada, com dados e boas comparações, interessante por endereçar diretamente o olhar para a Sociologia da Infância, mas que talvez não contribua diretamente para a questão do binarismo.
        Outros nomes importantes que você pode pesquisar se quiser se aprofundar nas questões da S.I. são Manoel Sarmento, Jens Qvortup, Wiliam Corsaro, Cristina Trinidad, Flávia Pires, Priscilla Alderson… Nem todos esses nomes eu li profundamente, alguns mesmo nem devo ter lido, mas povoam as referências dos textos da área e já apareceram no grupo de pesquisa de que participei sobre o tema.

        Espero ter ajudado

        • Ok, fique ciente que toda vez que eu cito o bogropitos eu também não consigo segurar o riso sozinho, que dirá ao encontrar outro fã do trampo de menino Danonel, Mordentovisk e o eterno louco do saco Carvalho.

          Sim eu misturei a volta na lógica com Schrödinger, pareceu tão lógico e ilógico ao mesmo tempo pra mim que eu não poderia não deixar de não colocar no comentário. =)

          Anotando as referências, hoje tem gravação do Papo Livre a noite, assim que acabar dou uma lida no link compartilhado. É um assunto que parece valer bastante a pena dar uma estudada.

          • Olá,

            Bom saber que não estou sozinho na desgraçadisse XD Mas não diria que eu sou um fã do cast; conheci a eloquente e sensual voz do Louco do Saco (embora doa cada vez que ela profere a inadequadíssima frase “Stálin matou foi pouco”) pelo Anticast e daí soube do begrédepos, mas durante muito tempo nem olhei nada pois poderia jurar que era um cast sobre Proto História e História Antiga. Um dia vi que o programa era sobre “Aliens Top”, senti um tom de zoeira e decidi baixar; de lá pra cá ouvi mais uns dois ou três. Mas o troço é bão.

            Volta na lógica com Schrödinger? Acho que você tem material para um Nobel nas mãos, meu rapaz! Se você não for um lixo, certamente será mito! XD

            A Sociologia da Infância é uma área muito interessante mesmo pra quem estuda educação; gosto muito das aproximações que faz com a Antropologia. A coisa de fazer pesquisa não _sobre_ as crianças mas sim _com_ as crianças, de ouví-las, de se permitir que elas sejam sujeitas da construção de conhecimento é fantástica. Se te interessar essa perspectiva, esse texto da Alderson é bem legal: https://www.researchgate.net/publication/228789809_As_criancas_como_pesquisadoras_os_efeitos_dos_direitos_de_participacao_sobre_a_metodologia_de_pesquisa

  3. Duas Pontuações
    Você pode não achar “bonito” ou “legal” essa binaridade do mundo. Mas percebeu como isso reverbera na nossa sociedade hoje. E não reverbera não somente hoje, desde a revolução francesa, essa binaridade se produz e reproduz. Na verdade vem desde os primórdios da civilização, seja na Suméria, Egito, Grécia, Roma… . A partir da Rev. Francesa apenas tomou-se uma nova consciência de uma nova dimensão dessas relações dualísticas.
    A verdade é que a binaridade do mundo é real, é uma coisa da natureza das sociedades históricas. Negá-la é negar a realidade. Discursos reformistas, conciliadores, apaziguadores, são discursos de sabotagem da realidade, não que o seu seja construído para essa finalidade, mas ele contribui para isso.
    A binaridade do mundo é um reflexo da binaridade da infraestrutura econômica que K. Marx chama de “Luta de Classes”. Pode te parecer coisas muito sem haver com as outras, mas mesmo que bem indiretamente elas tem relação. Você pode até achar ridículo o que acabo de dizer, mas tenha em mente uma coisa; essa dualidade é o mundo real, negá-la é o mesmo que negar o fenômeno da gravitação do nosso mundo.
    A deixa que eu deixo é; o importante para o indivíduo é saber em qual das fileiras ele vai embater, se ela realmente corresponde a realidade social do mesmo.

    A segunda pontuação é: A verdade está muito mais próxima de uma criança, do que a de um adulto. Justamente porque elas são inocentes, elas possuem quase nenhum filtro da realidade. Por isso que elas aprendem rápido, elas captam o mundo, tal como ele é. A maior tragédia das nossas vidas é a passagem da fase infantil para adulta.

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