Conhecimento compartilhado Vs Conhecimento vendido

Salve salve meus queridos, tudo bem? Dando atenção para as waifus? Não sabe o que são waifus? Ehr... deixa quieto então... Eu quero bater um papo com vocês com textão e opinião pessoal ok? Ok, então, here we go!

images.duckduckgo.com

Antes de prosseguir todo o meu argumento abaixo eu quero deixar bem claro que entendo o ponto dos que gostam de reter informação e conhecimento, entendo que muitos ganham a vida passando conteúdo que foi produzido por eles mesmos ou por pessoas que receberam uma grande quantia de grana pra isso. Entendo também que alguns podem argumentar que meu meio de pensar invalida a profissão professor, o que também não é o caso, uma vez que eu possuo graduação (técnica) em magistério, eu posso afirmar (baseado nas minhas opiniões pessoais e vivências) que levo em consideração os professores no meu argumento. Ainda no disclaimer (longo pra caramba) vamos deixar bem claro que eu não quero me auto promover, dizer que sou melhor do que os outros só por pensar diferente ou algo do gênero... Só quero mesmo abrir uma discussão me baseando na minha forma de pensar...

Sem mais delongas, vamos iniciar a discussão com:

Se você possui um conhecimento e decide não compartilhar ele com pessoas interessadas, você está se colocando em uma posição arriscada. Principalmente se você depende desse conhecimento pra ganhar seu suado pão de cada dia.

Why?

Simples, se seu conhecimento é estático, fica estagnado, ele se torna menor e defasado a cada momento... E uma das maneiras de exercitar esse conhecimento e adquirir novas visões e abordagens sobre ele é justamente compartilhando com pessoas que possuem interesse no assunto. Pelo simples fato dessas pessoas não serem você, já pode rolar um intercâmbio de conhecimentos incrível e você se privar disso só diminui o quão proficiente é seu conhecimento sobre determinada área.

Então isso quer dizer que eu não deveria cobrar algo para distribuir meu conhecimento?

Ai a coisa começa a complicar. Você é uma pessoal que possui conhecimento suficiente pra se considerar um especialista e produzir conteúdo original sobre o tema em questão? Ou você só é um ctrl C e ctrl V ambulante que possui sim muito conteúdo agregado mas nada original? Eu sou completamente a favor de você, especialista, ganhar dinheiro produzindo conteúdo, mas veja bem, uma vez que você distribua esse conteúdo, quer você queira, quer você não queira, alguma das pontas que receber esse conteúdo, vai repassar ele adiante, não há como ter controle disso. Mas vocês tentam... claro, sem generalizar, mas é incrível como eu vejo atualmente a explosão dos "cursos de mudança de vida" que são fichas carimbadas a anos fora do Brasil, mas, em tempos de crise, tem estourado por essas bandas tupiniquins e enchido os bolsos de muita gente. Deixa eu explicar melhor. Atualmente no Brasil, tem havido uma explosão de coachs, e não me entenda mal, eu acredito que a técnica de coaching feita por profissionais sérios e que possuem um chamado pra esse tipo de trabalho, é algo sensacional, mas a coisa ta virando um mar de conteúdo genérico copiado de gringos e repassado pra frente por pessoas que não tem vocação pra coisa e menos ainda conhecimento pautado sobre o conteúdo apresentado. Chegando ao cúmulo de ter cursos "mega secretos" onde você que participou não pode nem ao menos vender o peixei direito para seu amigo que poderia se aproveitar do conteúdo, tem que se limitar um "vai que é sensacional" mas, ao ser questionado o motivo desse tal curso ser tão sensacional ser bombardeado com a granada de frustração do: "Só você indo pra saber"... De novo, não me entenda mal, mas, quando se tem a minha idade pelo menos e se é minimamente antenado com o que igrejas, cursos, grupos de formação de profissionais usam para moldar as pessoas a ter e acreditar em certos pontos, há coisas que são fichas carimbadas, há metodologias que são aplicadas com objetivos diferentes mas que repetem a mesma fórmula em diversos lugares... O fato de você não poder dizer ao seu amigo/colega/sejaLaQuemFor do que se trata algo que você foi, viveu e aprendeu simplesmente porque seu(s) instrutor(es) pediu(pediram) se deve ao fácil faturamento em cima do desconhecido... "Ah, viu fulano, mudou depois que fez o curso XYZDACARROCINHADAALEGRIACARRETAFURACAODOFOFÃOQUEPULAMURO, vou fazer também". NÃO! Se a pessoa mudou, aprendeu mais sobre ela mesma, viu coisas e viveu coisas intensas e não pode compartilhar contigo as experiências que viveu, porque raios você deveria se interessar em gastar nhenhentos reais (porque não custa 50 reais por dia pra ir num trem desse), sem receber um briefing do que te espera... Pessoas querendo solução pra problema, mudança de vida, iluminação espiritual, puxão de orelha mental, mudança de hábito tem aos montes e essas pessoas que te pedem pra guardar segredo só querem o seu dinheiro...

Mas então qualquer curso, qualquer aula, qualquer coisa do gênero deveria ser de graça?

De forma alguma! Professores precisam pagar as contas igual a mim e a você. Existem pessoas sérias que prestam esse tipo de trabalho... O ponto aqui é que a escolha de compartilhar o conhecimento adquirido deve ser sua e não de quem te passou o conhecimento... Eu escolhi compartilhar o meu parco conhecimento com quem quiser... Eu cobro por isso? Sim! Dependendo do tipo de assunto que estou abordando, cobro um valor que eu julgo justo. Mas veja bem, eu cobro um valor justo para passar conhecimento através de conteúdo que eu produzo. E muitas das vezes, como é o caso aqui do blog, eu compartilho o que aprendo no 0800... Isso quer dizer que eu encararia uma sala de aula com 30~40 alunos de segunda a sexta das 07:00h as 17:00h de graça? De forma alguma... Meu tempo para o que me dá retorno financeiro é um, para o que não me dá é outro... Essa divisão é clara na minha cabeça e na de muitos...

Mas Thiago, o que você quer dizer com isso tudo? Textão sem foco fica difícil de acompanhar

Eu sei... eu sei que fica difícil, o meu ponto aqui, depois dessa patota toda de palavras é: Se você possui mais conhecimento que alguém sobre uma área, e uma pessoa interessada chegar pra você, por qualquer meio que seja, e venha te pedir pra compartilhar o conhecimento, mesmo que você julgue necessário atribuir um valor financeiro e que precise de um tempo pra preparar um conteúdo bacana, o faça... Você além de exercitar seu conhecimento, vai agregar valores externos a ele. Você ganha, a pessoa ganha, todos crescem e o mundo fica menos cinza...

Quando eu falo que o Movimento Software Livre é um movimento que busca agregar e somar os membros de sua comunidade, é justamente pensando dessa forma. Pensa que a computação que utilizamos hoje a todo momento não existiria da forma como a temos atualmente se um barbudo que muita gente zomba hoje em dia por ser meio nóia não tivesse enxergado o potencial de abrir o conhecimento pra quem quisesse ir lá, aprender, modificar e compartilhar para o próximo também...

Eu costumo me perder no pensamento quando escrevo esse tipo de texto e sei que a leitura desse tipo de conteúdo é chata pra muita gente, as estatisticas do site comprovam esse fato... Mas é a reflexão que tenho pra oferecer pra vocês hoje.

Eu queria muito saber a opinião de quem conseguir chegar até esse pedaço no texto, vamos abrir um diálogo, vai que eu estou errado e preciso ser corrigido em algo... O campo de comentários está ai pra isso!

E por hoje é isso, fiquem na paz.

Fui!

O trabalho Conhecimento compartilhado Vs Conhecimento vendido de Thiago Faria Mendonça está licenciado com uma Licença Creative Commons — Atribuição 4.0 Internacional.


Also published on Medium.

Um comentário sobre “Conhecimento compartilhado Vs Conhecimento vendido

  1. Limitar conhecimento é uma coisa muito ruim, o maior exemplo foi deste barbudo mesmo, onde hoje para explicar o problema, as pessoas ensinam algo e na sequência dizem para esquecer, o que é impossível.

    Eu acredito que se você obteve algo de uma comunidade, o mais natural serial num futuro, oferecer algo para a mesma. Se for algo muito trabalhoso, não tem problema cobrar um valor justo, mas não limite o que as pessoas podem fazer com este conhecimento. Se uma pessoa não puder passar o conhecimento para frente, as pessoas que obtiveram o conhecimento de você serão as únicas que o terão, as próximas não terão esta oportunidade e o conhecimento produzido será perdido.

    Na universidade que estou estudando atualmente, foi disponibilizado uma plataforma com alguns cursos, porém ao ler os termos e identificar algumas coisas que poderiam me impedir de repassar o conhecimento, segui o procedimento pedido, de fechar o site e não retornar. Observei que embora as demais pessoas tenham feito o cadastro, nunca percebi menção a este conteúdo, e como eu poderia pesquisar os assuntos do mesmo em outras fontes, não senti falta do mesmo.

    Também vejo que existam dois tipos de pessoas, as pessoas que pegam algo e conseguem aprender sozinha, e as outras que precisam de alguma ajuda, ou que preferem buscar esta ajuda para adquirir o conhecimento mais facilmente. Obviamente que uma pessoa pode variar seu tipo conforme o que for estudar. Porém nos dois tipos é possível “vender” conhecimento, cobrando para fornecer um material, ou cobrando para ajudar a pessoa a entendê-lo. Numa visão ideal, o material (conhecimento) estaria disponível para quem o quisesse, podendo ser cobrado por “serviços opcionais”, como impressão ou tutoria para ajudá-lo a entender melhor. Isso não invalida que a fonte do conhecimento (autor) seja a mais buscada, uma vez que teoricamente teria um domínio maior sobre o mesmo, e também possa receber contribuições para continuar produzindo material.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *